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Resenha || Cachinhos de prata | Leo Cunha

por Nilda de Souza

Cachinhos de Prata me emocionou muito. O tema da velhice sempre me comove. Numa sociedade que reverencia a juventude, envelhecer geralmente é um processo difícil e, na maioria das vezes, solitário.

Uma cena literária que ficou gravada na minha memória e que representa bem um dos aspectos do envelhecer é  quando em, O retrato de Dorian Gray, o protagonista, apavorado com as rugas, rasga o simbólico retrato. Gesto  que problematiza o pavor de envelhecer na cultura do Ocidente. Mas de todos as questões do envelhecer uma, em especial, me toca profundamente, a perda da memória. E é esse o tema central aqui.

Cachinhos de prata, de Leo Cunha, com ilustrações de Rui de Oliveira, traz uma avó que já não lembra dos seus três netos, já não lembra dos momentos que passaram juntos. Os netos, que a visitam todos os domingos, a chama de Cachinhos de Prata, pois os cabelos já não são negros, como um dia já foram.

As lembranças de Cachinhos da Prata, assim como seus cabelos, já não têm mais o mesma cor. Elas, as lembranças, estão esmaecidas. Os três netos precisam achar novas formas de dividir momentos especiais com a avó.

Cachinhos da Prata é mesmo um livro especial.

Como abordar um tema tão sensível com as crianças, sem falar na palavra Alzheimer? Leo Cunha consegue de forma especial.

Fiel à proposta da escrita, as tocantes ilustrações de Rui de Oliveira dão ainda mais sentido à narrativa. As ilustrações sugerem o desfazer de lembranças que se vão, iguais à história contada no livro. Na capa, as folhas se indo, as peças de dominó, o livro, um conjunto disseminando sentidos.

Cachinhos de Prata entra para a lista de livros que abordam infância e velhice, com enfoque ligada à memoria. Sei que o tema velhice é recorrente na literatura infantil. Mas acho que precisamos ficar atentas a que tipo de  imagem de velhice que se transmitir à infância. Esse é mais um livro indicado para coluna Manhê, conta outra vez.

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14 comentários

Marcia julho 14, 2017 - 1:18 pm

Olá!
Amei sua resenha, ainda mais que cuido de idoso e sei como é lidar com a memoria que nos vai falhando e a tortura que percebo, já me emocioei e quero ler com certeza. Bjs

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Beatriz Andrade julho 14, 2017 - 10:09 pm

Nossa, que livro triste!
Eu não conhecia e fiquei completamente interessada na leitura, acho que ele traz mensagens sábias para as crianças, mas também pode ser uma boa leitura para os adultos. Quero apresentar esse livro ao meu filho, obrigada pela dica.

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Lucy julho 15, 2017 - 12:31 am

Nossa, me emocionei com sua resenha. Meu pai foi diagnosticado recentemente com Alzheimer e sabemos que não será fácil. Estamos tentando atenuar o processo…
Bjos

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Isadora Gazote julho 15, 2017 - 11:50 am

Que linda sua resenha! Está lindo essa edição! Achei super tocante o tema e a forma como o autor abordou! Parabéns pela resenha!

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Fábrica dos convites julho 16, 2017 - 5:28 pm

Não conhecia o livro, e achei otima a ideia de trazer uma doença como o Alzheimer de uma forma mais lúdica para as crianças, sem assustá-las ou maquiar a verdade. Um livro que eu gostaria muito de ler.
Bjs, rose.

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Janiele Silva julho 17, 2017 - 12:48 pm

Oieee, achei o livro lindo, as ilustrações também, e a premissa do livro por si só já é algo maravilhoso, o tema da velhice não esta presente muito em nossas vidas, quando só nos preocupamos com o agora, creio que uma lição linda esta nesse livro!

Bjs

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Gabriela julho 17, 2017 - 4:56 pm

Olá!
Amei sua resenha, o tema abordado é muito difícil e ver como o autor desenvolveu isso é bonito. As ilustrações também são fofas.
Me emocionei e quero ler.
Parabéns pelo post e obrigado pela dica.
Beijos!

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Danielle Rodrigues Casquet de Melo julho 17, 2017 - 5:48 pm

Olá Nilda que resenha mais linda, fiquei realmente entusiasmada para ler esse livro e indicar para duas pessoas que tenho certeza que vai gostar. Não conhecia o autor e gostei muito da forma como ele trata o assunto da velhice de uma forma tão cuidadosa. Bjkas

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Angélica julho 17, 2017 - 6:58 pm

Oi, tudo bem?
Não é um livro que eu leria pois a temática não me agrada tanto, mas as ilustrações estão lindas!

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lilian farias julho 18, 2017 - 11:22 am

Realmente, a cultura Ocidental vê o envelhecer como um monstro perverso, fruto, também, da imbecilização da vida do capitalismo, quanto mais as pessoas têm medo da velhice (ou da vida) mais se tornam dependente de produtos químicos. Esse livro que você presenteou os leitores com a resenha, para mim, é necessário, importante e urgente, precisamos de obras que nos tirem desse estado de torpor e alienação. além disso, as referências na resenha ficaram perfeitas.

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Fabiana julho 19, 2017 - 11:45 am

Olá Nilda, tudo bem?
Nossa nem li a obra, mas concordo com você é uma obra bem emocionante.
Amei a forma como foi abordado o tema e as ilustrações estão perfeitas.
Parabéns e obrigada por compartilhar a obra conosco
Beijos

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Rafaela Samara Barbosa Rosato julho 20, 2017 - 11:12 pm

Olá, parabéns pela resenha e pela escolha de livro. Realmente, é um tema que precisa ser abordado, mas de uma forma sutil, como traz nesse livro. Com certeza vou procurar para ler. Já li alguns livros infantis com o mesmo tema, todos sempre me emocionam, me fazem lembrar de uma pessoa muito querida que já se foi. Parabéns pelo blog e pela resenha!

Beijinhos.

birdsalsocry.blogspot.com.br

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Déborah julho 24, 2017 - 7:39 pm

Nilda, eu não conhecia o livro, mas já estou apaixonada.
Adoro livros que tratam de assuntos importantes de uma maneira mais leve e didática para as crianças.
Quero muito ler!

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Carolina Ramires julho 25, 2017 - 11:32 pm

Olá!
Eu também sou muito sensível com esse tema velhice, então adorei poder conferir e conhecer esse livro. O que mais me chamou a atenção foi, de longe, essas ilustrações que estão maravilhosas. Adorei a dica!
Beijos.

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